Um rastreador não impede que o carro seja levado e, ainda assim, para David do Prado, vendedor com mais de 10 anos de experiência no setor automotivo e de proteção veicular, poucos equipamentos tiveram tanto impacto sobre a proteção veicular nos últimos anos. O rastreador é um dispositivo instalado no veículo que transmite sua localização, permitindo acompanhar o trajeto e acionar buscas em caso de roubo ou furto. Em associações de proteção veicular, ele passou a ser, em muitos casos, condição para a adesão.
Como o rastreador funciona na prática?
O equipamento combina GPS, que identifica a posição, com transmissão de dados por rede de telefonia ou satélite. Os modelos mais completos permitem bloqueio remoto do motor, alertas de movimentação fora de horário e registro de trajetos. Alguns ainda incluem telemetria, que mede velocidade, frenagens e acelerações. Há ainda versões com botão de pânico e aplicativos que permitem ao próprio dono acompanhar o carro pelo celular.
A instalação costuma ser feita em local discreto, justamente para dificultar a remoção. Mesmo assim, criminosos usam bloqueadores de sinal e conhecem pontos comuns de instalação, o que explica por que nenhuma empresa séria promete recuperação garantida. O rastreador aumenta as chances de localizar o veículo, mas não elimina o risco. A eficácia depende também da rapidez com que o roubo é comunicado à central de monitoramento.
Por que a proteção veicular exige rastreador?
A resposta está no rateio. Na proteção veicular, cada roubo não recuperado é dividido entre os associados, e um carro localizado em poucas horas custa ao grupo muito menos do que uma indenização integral. Como destaca David do Prado, a exigência protege, na prática, o bolso de todos os participantes, e não apenas o do dono do veículo rastreado.
Por isso, é comum que associações exijam o equipamento em modelos mais visados, em veículos acima de determinado valor ou em regiões com índice elevado de roubo. Em alguns casos, a entidade fornece o rastreador e cobra o serviço junto da contribuição mensal; em outros, aceita aparelhos de empresas parceiras. Quem já tem um rastreador instalado deve confirmar se o modelo é aceito pela associação antes de contratar outro.

O que muda na mensalidade e na indenização?
Com rastreador, a mensalidade tende a ser menor para modelos de alto risco, já que a probabilidade de perda total cai. Há também o efeito inverso: sem o equipamento, alguns veículos simplesmente não são aceitos, ou só entram com cobertura limitada à colisão, sem proteção contra roubo e furto. Para o dono de um carro visado, o equipamento pode ser o que separa uma proteção completa de uma cobertura parcial.
A exigência traz obrigações para o associado. Manter o aparelho funcionando, atender aos chamados de manutenção e não remover o equipamento fazem parte das regras em boa parte das entidades. Sob a perspectiva de David do Prado, um rastreador desligado ou com defeito no momento do roubo pode gerar discussão sobre o direito à indenização, dependendo do que estiver previsto no regulamento.
Telemetria e o futuro da proteção veicular
A telemetria abre um caminho além da localização. Ao registrar o comportamento ao volante, ela permite avaliar o risco com base em como o carro é usado, e não só em quem o dirige ou onde ele dorme. No mercado de seguros, modelos de precificação por uso já existem; na proteção veicular, a tecnologia ainda é aplicada principalmente à segurança do veículo, mas o caminho para mensalidades mais individualizadas está aberto. Motoristas cuidadosos poderiam, nesse modelo, pagar menos do que os que acumulam frenagens bruscas e excesso de velocidade.
Para o associado, a pergunta central continua simples: o que o regulamento diz sobre o rastreador? Antes de contratar, vale saber quem fornece o equipamento, quem paga a manutenção e o que acontece se ele falhar. Conforme indica David do Prado, a tecnologia só cumpre seu papel quando as regras sobre ela estão claras para os dois lados.
