Um leilão de apoio à comercialização negociou aproximadamente 13,1 mil toneladas de laranja in natura da safra 2026/27. A operação foi realizada em 3 de setembro de 2026 por meio do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural ou Cooperativa de Produtor Rural (Pepro), mecanismo utilizado para apoiar a comercialização e o escoamento da produção agrícola.
A oferta inicial previa 36 mil toneladas, mas cerca de 36% desse volume foi arrematado. Participaram produtores e cooperativas da Bahia, do Pará, do Paraná, do Rio Grande do Sul e de Sergipe. O lote destinado a São Paulo não registrou negociação. O resultado foi divulgado em 9 de setembro pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Rio Grande do Sul concentrou maior volume
Entre os estados participantes, o Rio Grande do Sul teve o maior volume negociado, com 5,3 mil toneladas. Sergipe apareceu na sequência, com aproximadamente 4,4 mil toneladas. Também foram registrados negócios em municípios da Bahia, do Pará e do Paraná, ampliando o alcance regional da política de apoio ao mercado de citros.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, a operação envolveu cooperativas de citricultores e organizações ligadas à agricultura familiar. No Rio Grande do Sul, a Coopsalzano, de Liberato Salzano, arrematou 2,5 mil toneladas, enquanto a Cecafes, de Erechim, negociou 2,3 mil toneladas.
Em Sergipe, cooperativas de Poço Redondo e Cristinápolis participaram do leilão. A presença de organizações de diferentes regiões mostra como o instrumento pode ser aplicado a realidades produtivas distintas, conectando a produção rural à indústria responsável pelo processamento da fruta.
Como funciona o apoio ao escoamento de laranja
O Pepro é voltado à sustentação da comercialização quando os preços de mercado ficam abaixo do mínimo estabelecido para a operação. Nesse caso, o preço mínimo foi fixado em R$ 28,76 por caixa de 40,8 quilos. O mecanismo busca reduzir os efeitos da oscilação de preços sobre produtores e cooperativas, especialmente em momentos de menor capacidade de compra.
Para ter acesso ao apoio, é necessário comprovar a produção, a venda e o transporte da laranja para indústrias de processamento. A exigência relaciona o benefício à efetiva movimentação da fruta, contribuindo para que a produção seja retirada das propriedades e encaminhada à cadeia industrial. A medida também ajuda a diminuir o risco de perdas no campo quando a comercialização enfrenta dificuldades.
A Conab informou que os leilões de apoio ao escoamento da laranja foram programados para atender à comercialização da safra e operacionalizar a política de subvenção. A companhia também publicou as regras gerais da operação antes da realização do leilão, incluindo os critérios aplicáveis aos participantes.
Indústria tem papel na absorção da safra
A destinação da fruta às indústrias de processamento é um dos pontos centrais da operação. A transformação da laranja amplia as possibilidades de comercialização e cria uma alternativa para produtores que enfrentam um mercado in natura com demanda insuficiente. Para a agricultura familiar, a atuação das cooperativas pode facilitar a organização dos volumes e o cumprimento das exigências do programa.
O resultado, contudo, ficou abaixo da oferta inicial de 36 mil toneladas. Isso significa que parte do volume disponibilizado não foi arrematada no leilão realizado em setembro. Ainda assim, as 13,1 mil toneladas negociadas representam uma operação distribuída entre cinco estados e com participação de organizações de diferentes polos citrícolas.
O apoio público não substitui a dinâmica de mercado, mas oferece uma referência de preço e condições formais para o escoamento da produção. Ao exigir a comprovação da venda e do transporte, o Pepro direciona o incentivo para operações efetivamente realizadas e aproxima produtores, cooperativas e unidades de processamento.
Com a medida, o governo busca dar maior previsibilidade à comercialização da safra 2026/27 e apoiar a renda de citricultores familiares diante de preços abaixo do mínimo oficial. A operação também reforça a importância das cooperativas na organização da produção e na conexão entre as propriedades rurais e a indústria de alimentos.
