Alex Nabuco dos Santos parte da premissa de que o mercado imobiliário opera, na maior parte do tempo, em ambientes de baixa eficiência informacional. Diferentemente de mercados altamente líquidos e padronizados, a informação imobiliária é fragmentada, lenta e distribuída desigualmente entre os agentes. Essa característica não é uma falha ocasional, mas um traço estrutural que influencia diretamente a qualidade das decisões.
Nesse contexto, a informação disponível raramente é completa, simultânea ou perfeitamente comparável. Dados públicos convivem com informações privadas, leituras locais e percepções subjetivas. Decidir bem passa menos por encontrar o “dado certo” e mais por compreender os limites do que pode ser conhecido em cada momento.
Baixa eficiência informacional como condição permanente
Para Alex Nabuco dos Santos, tratar a baixa eficiência informacional como exceção leva a erros de expectativa. O mercado imobiliário não funciona como um sistema de ajuste instantâneo, no qual preços refletem imediatamente todas as informações disponíveis. Pelo contrário, ajustes são lentos, seletivos e, muitas vezes, incompletos.
Essa condição faz com que ativos semelhantes apresentem trajetórias distintas, mesmo sob o mesmo cenário macroeconômico. A informação relevante sobre uso, liquidez futura ou mudanças no entorno não circula uniformemente. Parte dela permanece local, tácita ou dependente de interpretação, o que amplia a dispersão de resultados.
Informação imperfeita molda comportamento
Alex Nabuco dos Santos ressalta que a imperfeição informacional afeta diretamente o comportamento dos agentes. Diante de incerteza elevada, proprietários tendem a adotar posturas defensivas, compradores se tornam mais seletivos e investidores passam a exigir margens de segurança maiores. O resultado não é paralisia, mas seletividade.

Nesse ambiente, decisões deixam de ser baseadas em consenso e passam a refletir leituras individuais. A ausência de sinais claros faz com que cada agente opere com seus próprios filtros, o que explica por que o mercado parece contraditório em determinados momentos. A incoerência aparente é, na verdade, consequência da informação desigual.
O risco de superestimar dados consolidados
Um dos principais riscos em ambientes de baixa eficiência informacional é superestimar a capacidade explicativa dos dados consolidados. Indicadores agregados oferecem visão média do mercado, mas escondem variações relevantes entre regiões, tipologias e usos. Quando a decisão se ancora exclusivamente nesses dados, ignora-se a heterogeneidade que define o setor imobiliário. Ativos específicos respondem a dinâmicas próprias, muitas vezes desconectadas do comportamento médio.
Alex Nabuco dos Santos observa que entender dinâmicas específicas de uma região, mudanças graduais no entorno e comportamento recorrente dos agentes locais fornece sinais que não aparecem nos relatórios amplos. Essa leitura não elimina incertezas, mas melhora a qualidade da decisão. Ao incorporar informação contextual, o investidor reduz a dependência de generalizações e aumenta a precisão da análise. O foco se desloca do “mercado” abstrato para o funcionamento real daquele ativo em seu ambiente específico.
Decidir sem esperar clareza total
Alex Nabuco dos Santos expõe que esperar clareza total em mercados de baixa eficiência informacional costuma resultar em decisões tardias. A informação completa raramente se materializa antes que o mercado já tenha se ajustado. A decisão madura envolve aceitar certo grau de incerteza e operar com probabilidades, não com certezas absolutas.
Essa postura exige método. Definir critérios, trabalhar com cenários e estabelecer limites de exposição permite decidir mesmo quando a informação é incompleta. A alternativa, a espera indefinida por confirmação plena, tende a reduzir opções e aumentar custos de oportunidade.
Baixa eficiência informacional não é desvantagem para todos
Embora a baixa eficiência informacional seja frequentemente vista como problema, Alex Nabuco dos Santos destaca que ela também cria espaço para decisões diferenciadas. Onde a informação não é plenamente difundida, a interpretação passa a ser fator de vantagem. Quem compreende essa dinâmica deixa de buscar previsões precisas e passa a investir em leitura contextual, disciplina estratégica e adaptação contínua. Em vez de competir por informação perfeita, passa a competir por interpretação consistente.
Em mercados imobiliários de baixa eficiência informacional, decisões não dependem de eliminar incertezas, mas de administrá-las. Reconhecer os limites da informação disponível é passo essencial para evitar excesso de confiança e leituras simplificadas. Por fim, ao aceitar a imperfeição como parte do jogo, o investidor passa a decidir com mais prudência e menos ilusão de controle.
Autor: Abidan Banise
