Sergio Bento de Araujo, empresário especialista em educação, defende que acolher migrantes e refugiados com políticas linguísticas bem desenhadas é uma forma prática de garantir acesso real à aprendizagem. Quando a escola cria caminhos para o estudante compreender e ser compreendido, ela reduz barreiras de permanência, melhora o vínculo com a comunidade e fortalece a equidade.
A partir deste artigo você vai ver por que o português é decisivo para integração educacional, como estruturar ofertas para jovens e adultos, quais estratégias pedagógicas funcionam melhor em turmas multiculturais, como conectar linguagem e cidadania sem perder foco curricular e quais métricas ajudam a medir avanço com responsabilidade.
Por que aprender português é um passo-chave de integração educacional?
Aprender português é mais do que dominar vocabulário e gramática. Na escola, a língua é a chave para compreender instruções, participar de atividades, construir relações e demonstrar conhecimento. Sem esse suporte, o estudante pode até frequentar as aulas, mas permanece à margem do currículo, com baixa participação e risco de evasão. Por isso, políticas de língua de acolhimento são parte do direito à educação e não um “extra” opcional.

Na visão de Sergio Bento de Araujo, tratar o português como ferramenta de integração muda a lógica da gestão: o objetivo passa a ser permanência com aprendizagem, não apenas matrícula. Além disso, o acolhimento linguístico reduz conflitos culturais, melhora o clima escolar e facilita a comunicação com as famílias. Assim, a escola amplia oportunidades e também aprende, porque incorpora diversidade como valor pedagógico e organizacional.
Como estruturar cursos noturnos e fluxos de matrícula para adultos?
A oferta para jovens e adultos precisa respeitar a realidade de trabalho, deslocamento e responsabilidades familiares, destaca Sergio Bento de Araujo, nesse sentido, os horários noturnos e turmas com entrada contínua são caminhos comuns para reduzir barreiras de acesso.
Modelos municipais já adotam inscrições abertas e atendimento em unidades específicas, o que ajuda a organizar demandas e garantir previsibilidade. Ainda assim, estrutura não é apenas agenda: é permanência, acompanhamento e adaptação de trilhas conforme nível de proficiência.
A gestão deve pensar em jornada completa do estudante: matrícula simples, diagnóstico inicial, materiais adequados e apoio para frequência. O curso precisa prever faltas por trabalho, oferecer reposição viável e criar metas curtas, que gerem sensação de progresso. Quando o adulto percebe que aprende algo útil rapidamente, o vínculo se fortalece, e a escola reduz abandono com ações concretas, não com discursos.
Quais estratégias pedagógicas funcionam melhor com turmas multiculturais?
As turmas multiculturais funcionam melhor quando a escola combina linguagem funcional, atividades contextualizadas e valorização do repertório do estudante. Aulas que partem de situações do cotidiano, como saúde, transporte, trabalho e escola dos filhos, facilitam a comunicação imediata e aumentam a motivação. Ao mesmo tempo, é essencial construir base linguística com intencionalidade, para que o aluno avance em leitura, escrita e compreensão oral, sem ficar preso apenas ao “português de sobrevivência”.
Segundo Sergio Bento de Araujo, a chave é equilibrar acolhimento e exigência pedagógica. Isso inclui usar textos curtos, imagens, recursos digitais e projetos colaborativos, além de permitir que o estudante explique conhecimentos prévios, mesmo com limitações linguísticas. Quando a escola reconhece o aluno como sujeito competente, ela reduz a ansiedade e acelera a aprendizagem. Com isso, a diversidade deixa de ser desafio isolado e vira motor de engajamento e sentido.
Como a escola conecta linguagem, trabalho e cidadania sem perder foco curricular?
Conectar linguagem, trabalho e cidadania não significa abandonar currículo, e sim torná-lo aplicável. A EJA e cursos de português para migrantes podem articular leitura e produção de textos com temas reais, como formulários, direitos, rotinas de serviços públicos e comunicação profissional.
Esse caminho melhora a autonomia do estudante e aumenta a utilidade percebida do curso, reforça Sergio Bento de Araujo. Porém, para manter o foco curricular, é necessário planejar objetivos linguísticos claros em cada unidade, com progressão e avaliação formativa.
Uma boa prática é usar projetos como eixo, mas com critérios: vocabulário-alvo, estruturas linguísticas, prática de oralidade, leitura guiada e escrita com devolutiva. A cidadania entra como contexto, não como palestra. Assim, a escola preserva intencionalidade pedagógica e cria integração social real. Quando o aluno percebe que aprende para viver melhor e também para avançar academicamente, a permanência cresce.
Que métricas mostram avanço real em proficiência e permanência?
Medir avanço exige olhar para proficiência e permanência ao mesmo tempo. Frequência, taxa de conclusão e retorno após interrupções ajudam a entender se o modelo está sendo viável. Já a proficiência pode ser acompanhada por tarefas práticas, como compreensão de textos curtos, capacidade de escrever recados, preencher formulários, relatar experiências e participar de debates simples. A avaliação precisa ser regular, leve e útil, para orientar intervenção, e não para gerar medo.
Na abordagem de Sergio Bento de Araujo, a métrica mais inteligente é aquela que vira decisão. Se a turma avança na oralidade, mas trava na escrita, o plano se ajusta. Se a frequência cai em determinados dias, a gestão revisa horários e apoios. Quando a escola monitora com consistência, ela identifica gargalos cedo e preserva recursos. Dessa forma, o programa se mantém sustentável, melhora a integração e comprova impacto com evidências, não apenas intenção.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
