O modo como a sociedade lida com a morte está mudando. Tiago Oliva Schietti observa que famílias brasileiras estão buscando alternativas mais alinhadas aos seus valores pessoais, ambientais e espirituais na hora de planejar a despedida de um ente querido. A cremação consolidou-se como uma das opções mais escolhidas no país, enquanto os cemitérios naturais surgem com força como tendência que une respeito à memória e cuidado com o meio ambiente. Este artigo analisa esse cenário em transformação, os fatores que impulsionam essas escolhas e o que as famílias precisam considerar antes de tomar uma decisão tão significativa.
Por que a cremação cresceu tanto no Brasil nos últimos anos?
A cremação deixou de ser uma escolha marginal para se tornar uma das principais formas de sepultamento no país. Esse crescimento está ligado a uma combinação de fatores práticos e culturais: o custo de manutenção de jazigos, a escassez de espaço em cemitérios tradicionais nas grandes cidades e a mobilidade das famílias modernas tornaram essa alternativa não apenas viável, mas muitas vezes preferível do ponto de vista logístico e financeiro.
Muitas pessoas passaram a enxergar a cremação como uma despedida mais íntima e flexível, que permite guardar as cinzas em casa, espalhá-las em lugares com significado afetivo ou transformá-las em objetos de memória. Tiago Schietti aponta que essa possibilidade de personalização do luto é uma das principais razões pelas quais as famílias têm optado pela cremação com cada vez mais convicção e naturalidade.
O que são cemitérios naturais e como funcionam?
Os cemitérios naturais, também chamados de cemitérios verdes ou ecológicos, representam uma das inovações mais significativas do setor funerário na última década. Nesse modelo, o corpo é sepultado sem caixão convencional ou com ataúdes biodegradáveis, em áreas de preservação ambiental, permitindo que a decomposição ocorra de forma integrada ao ecossistema local.
No Brasil, a regulamentação desse modelo ainda está em desenvolvimento, mas o interesse crescente por parte das famílias já sinalizou ao mercado que essa é uma demanda real e crescente, como evidencia Tiago Oliva Schietti.

Quais são as diferenças práticas entre cremação e sepultamento natural?
A cremação e o sepultamento em cemitérios naturais partem de premissas distintas, mas compartilham um ponto em comum: ambos representam uma ruptura com o modelo funerário tradicional. A cremação é um processo rápido, com resultado imediato e alto grau de flexibilidade para a família. Já o sepultamento natural é orgânico e lento, tendo como valor central a devolução do corpo à terra de forma integral e ecológica.
O cemitério natural, por sua vez, demanda planejamento prévio e compreensão da legislação ambiental vigente. Tiago Schietti reforça que, independentemente da escolha, o mais importante é que a decisão seja tomada com antecedência, preferencialmente dentro de um planejamento funerário familiar estruturado e bem orientado.
Como essas novas opções estão transformando o mercado funerário?
A chegada dessas alternativas ao mercado brasileiro não é apenas uma questão de oferta e demanda. Ela representa uma mudança na forma como a sociedade se relaciona com a morte, o luto e a memória. Empresas que antes operavam com modelo único passaram a precisar de equipes treinadas, infraestrutura diversificada e comunicação mais sensível para atender famílias com perfis e expectativas completamente diferentes entre si.
Tiago Oliva Schietti conclui que as empresas que investirem em qualificação, informação e acolhimento genuíno sairão na frente em um mercado orientado por valores. Oferecer cremação, sepultamento ecológico e acompanhamento humanizado deixou de ser diferencial isolado para se tornar o novo padrão que as famílias brasileiras estão começando a exigir com cada vez mais clareza.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
