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Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
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Seu robô paga o investimento? Veja o cálculo em um caso de varejo

Hannah Everley
Hannah Everley setembro 21, 2026
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Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
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Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO do Grupo Carrefour Brasil, explica que o retorno da automação de processos só convence quando todos os custos entram na conta, inclusive os que aparecem depois da entrega. Planilhas otimistas aprovam projetos que depois ninguém consegue defender.

Contents
O custo do processo, como ele funciona hojeQuanto a automação custa de verdade?Colocando as contas lado a ladoO retorno que não cabe na planilha

A dificuldade é conhecida de quem já apresentou um projeto desse tipo. A economia de horas parece óbvia, mas a diretoria financeira quer saber quando o investimento se paga, quanto custa manter o robô funcionando e o que acontece com as pessoas que hoje fazem a tarefa.

Para mostrar como essas perguntas se transformam em números, vale acompanhar um caso hipotético, com valores arredondados, de uma varejista que decidiu automatizar a conciliação de pagamentos. Os valores são ilustrativos, mas a lógica serve para qualquer processo.

O custo do processo, como ele funciona hoje

Na empresa do exemplo, quatro analistas dedicam cerca de 60% do tempo à conferência entre as vendas registradas e os repasses das operadoras de cartão. Com um custo mensal de R$ 10 mil por analista, incluindo encargos, a tarefa consome R$ 24 mil por mês, ou R$ 288 mil por ano.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira nota que o custo de pessoal é raramente o único. Divergências que passam despercebidas viram estornos não recuperados e, no caso fictício, essas perdas somam R$ 5 mil mensais. O custo anual do processo manual chega, assim, a R$ 348 mil.

Esse levantamento precisa ser feito antes de qualquer proposta técnica. Sem uma linha de base medida, com horas reais e perdas registradas, o retorno calculado depois vira estimativa sobre estimativa, e a comparação perde credibilidade diante de quem aprova o orçamento.

Quanto a automação custa de verdade?

O desenvolvimento da solução é orçado em R$ 250 mil. É o número que costuma aparecer sozinho nas apresentações, e é justamente aí que muitos cálculos erram, porque a automação continua gerando despesas após entrar em funcionamento.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira

No caso, licenças e infraestrutura em nuvem custam R$ 3 mil por mês, ou R$ 36 mil por ano. A manutenção, necessária sempre que um banco muda o formato de arquivo ou uma regra fiscal se altera, é estimada em 20% do valor de desenvolvimento, o que acrescenta R$ 50 mil anuais.

Há ainda o trabalho que a automação não elimina. O robô resolve 80% das conciliações, e os 20% restantes, as exceções, continuam com a equipe. Isso mantém R$ 58 mil por ano em custo de pessoal. As perdas por divergência caem para R$ 12 mil anuais.

Colocando as contas lado a lado

Somando licenças, manutenção, exceções e perdas residuais, o processo automatizado custa R$ 156 mil por ano. Frente aos R$ 348 mil do cenário anterior, a economia anual é de R$ 192 mil. O investimento inicial se paga em cerca de 16 meses.

Em três anos, a economia acumulada chega a R$ 576 mil. Descontados os R$ 250 mil investidos, o ganho líquido é de R$ 326 mil, um retorno de 130% sobre o valor aplicado. Ao apresentar esses números, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira sugere mostrar também um cenário pessimista, com menos automação e mais manutenção.

A economia com pessoal merece uma ressalva. Ela só se concretiza se o tempo liberado dos analistas for direcionado a outra atividade de valor, como análise de fraudes ou negociação de taxas. Caso contrário, o ganho existe apenas no papel, e a planilha promete algo que o negócio não recebe.

O retorno que não cabe na planilha

Alguns benefícios são difíceis de traduzir em reais. A conciliação, que antes levava dias, passa a sair em horas, o que antecipa a identificação de problemas com operadoras e melhora a previsão de caixa da área financeira.

O efeito mais relevante, porém, aparece quando o volume cresce. Com o processo manual, dobrar as vendas exigiria contratar mais analistas. Com a automação, o custo adicional é pequeno, e a operação absorve o crescimento sem ampliar a equipe na mesma proporção.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira pontua que a escolha é avaliar a automação considerando o custo de expansão, e não apenas o custo atual. Um projeto que gera um retorno limitado no primeiro ano pode ser crucial para uma empresa que pretende duplicar sua dimensão nos anos seguintes.

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