O médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues disserta o assunto diagnóstico por imagem aplicado à saúde da mulher. Neste artigo, exploramos o papel fundamental da mamografia na redução da mortalidade por câncer de mama, por que o rastreamento precoce ainda é subestimado no Brasil e como os avanços tecnológicos e as políticas públicas influenciam diretamente a sobrevida das pacientes.
Por que a mamografia ainda é o padrão ouro no rastreamento do câncer de mama?
O câncer de mama é o tumor maligno mais incidente entre mulheres no Brasil, e a sobrevida da paciente está diretamente relacionada ao estágio em que a doença é detectada. É nesse contexto que a mamografia se consolida como o principal instrumento de rastreamento na prática clínica, capaz de identificar alterações antes mesmo que qualquer sintoma apareça.
Quando o diagnóstico ocorre nos estágios iniciais, a chance de cura pode superar 90%, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Detectar precocemente significa tratar de forma menos agressiva, com cirurgias mais conservadoras, menor uso de quimioterapia e melhor qualidade de vida ao longo de todo o processo terapêutico.
Qual é a real contribuição da mamografia para salvar vidas?
Países com programas consolidados de rastreamento, como Suécia, Reino Unido e Estados Unidos, registraram quedas expressivas nas taxas de mortalidade por câncer de mama ao longo das últimas décadas. Esse avanço é amplamente atribuído à maior cobertura da mamografia, aliada à evolução dos protocolos oncológicos.
No Brasil, porém, o cenário ainda apresenta lacunas. O Dr. Vinicius Rodrigues explica que a cobertura do rastreamento no SUS permanece aquém do necessário para gerar impacto populacional relevante. O déficit de adesão resulta de desinformação, dificuldade de acesso em municípios menores e filas prolongadas no serviço público.

Como o avanço tecnológico transformou a mamografia?
A incorporação da tomossíntese mamária, conhecida como mamografia 3D, representou um salto na detecção de lesões suspeitas. Ao contrário do método convencional, a tomossíntese gera imagens em múltiplas camadas do tecido mamário, reduzindo sobreposições e ampliando a sensibilidade do exame, especialmente em mamas densas.
Para Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a introdução dessas tecnologias no SUS ainda enfrenta obstáculos orçamentários, criando desigualdade entre as redes pública e privada. A inteligência artificial também avança nessa área, com algoritmos desenvolvidos para auxiliar radiologistas na identificação de padrões suspeitos e tornar os laudos mais precisos e ágeis.
De que forma as políticas públicas influenciam os índices de mortalidade?
A redução da mortalidade por câncer de mama depende não apenas da tecnologia disponível, mas da capacidade do sistema de saúde de garantir que o rastreamento alcance as mulheres que mais precisam. Programas estruturados, com convocação ativa da população-alvo e integração entre diagnóstico e tratamento, apresentam resultados superiores aos modelos baseados somente na demanda espontânea.
O ex-secretário de Saúde e médico radiologista Dr. Vinicius Rodrigues sugere a construção de linhas de cuidado integradas, articulando atenção primária, diagnóstico por imagem e oncologia. Sem esse encadeamento, o diagnóstico precoce perde seu potencial: a paciente sem acesso garantido ao tratamento em tempo hábil não se beneficia plenamente do rastreamento.
O que toda mulher precisa saber sobre mamografia e autocuidado?
Além do rastreamento periódico, sintomas como nódulos palpáveis, alterações no contorno da mama, secreção espontânea pelo mamilo ou retração da pele devem ser investigados prontamente, independentemente da faixa etária ou da data do último exame. Mulheres com histórico familiar de câncer de mama ou portadoras de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 podem necessitar de rastreamento mais intensivo e com início mais precoce.
O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues percebe que o protocolo mais adequado deve ser sempre individualizado, considerando o histórico clínico e as orientações do médico assistente. A mamografia é uma ferramenta poderosa, e sua eficácia máxima depende de uso regular, criterioso e integrado a um acompanhamento médico contínuo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
