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Felipe Rassi
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O que o rating de uma carteira inadimplida realmente mede e o que ele não diz?

Diego Velázquez
Diego Velázquez julho 8, 2026
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Felipe Rassi
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Felipe Rassi, especialista jurídico no mercado de NPL, ao analisar operações no mercado de NPL, destaca que o rating atribuído a ativos estressados é uma das métricas mais usadas e menos compreendidas do setor. O número existe, circula em relatórios e entra em decisões de compra, mas raramente é lido com o critério que merece: seja porque o conceito é transplantado diretamente do universo de crédito corporativo sem os devidos ajustes, seja porque quem o utiliza não distingue o que aquele rating de fato captura do que ele sistematicamente ignora. O resultado é uma leitura incompleta que pode superestimar a segurança de uma operação ou subestimar seus riscos reais.

Contents
O rating mede probabilidade, não certeza de recuperaçãoA metodologia por trás do número define o quanto ele pode ser comparado entre carteiras diferentesO que o rating tipicamente não captura sobre a carteira avaliada?A data do rating importa tanto quanto o próprio ratingComo usar o rating como ferramenta sem usá-lo como substituto da análise?

Entender o que entra no rating de uma carteira inadimplida, e principalmente o que fica de fora, é o que os tópicos a seguir detalham. É essa leitura mais precisa que muda a forma de usar essa métrica dentro de uma análise técnica do mercado de crédito estressado.

O rating mede probabilidade, não certeza de recuperação

A primeira distinção que precisa estar clara é que o rating de uma carteira de NPL não é uma promessa de retorno. Ele é uma estimativa probabilística de quanto daquele crédito pode ser recuperado, construída a partir de variáveis históricas e de características específicas da carteira avaliada. Isso significa que dois analistas usando metodologias diferentes podem chegar a ratings distintos para a mesma carteira, porque estão ponderando as variáveis de forma diferente ou usando bases históricas de referência com composições distintas.

Essa natureza probabilística do rating é frequentemente suavizada na forma como ele é comunicado. Um rating alto para uma carteira de NPL não significa que a recuperação está assegurada: significa que, com base nas informações disponíveis no momento da análise e nos padrões históricos de carteiras semelhantes, a expectativa de recuperação é relativamente mais favorável. Qualquer mudança nas condições que sustentam essa expectativa, como deterioração do perfil dos devedores, alteração no cenário de juros ou problema documental identificado depois da avaliação, pode tornar o rating desatualizado sem que ele tenha sido formalmente revisado.

A metodologia por trás do número define o quanto ele pode ser comparado entre carteiras diferentes

Não existe uma metodologia única de rating para carteiras de NPL no Brasil. Agências, consultorias especializadas e estruturadores de FIDCs costumam usar abordagens distintas, com pesos diferentes para variáveis como tempo de atraso, tipo de garantia, perfil do devedor e histórico de recuperação de carteiras semelhantes. Isso significa que comparar o rating de duas carteiras avaliadas por metodologias diferentes é um exercício de comparação entre premissas, não entre resultados objetivos.

Na perspectiva de Felipe Rassi, esse ponto é particularmente relevante em decisões de alocação que envolvem múltiplas carteiras. Antes de usar o rating como critério de comparação entre oportunidades distintas, é necessário verificar se as metodologias utilizadas em cada avaliação são suficientemente compatíveis para que a comparação faça sentido. Uma carteira com rating ligeiramente inferior sob uma metodologia mais conservadora pode representar risco real menor do que uma carteira com rating superior calculado sob premissas mais otimistas de recuperação.

Sendo assim, o rating de uma carteira de NPL é uma estimativa probabilística de recuperabilidade, construída a partir de variáveis como tempo de atraso, tipo de garantia, qualidade documental e perfil dos devedores. Ele não garante retorno: indica o nível relativo de risco com base nas informações disponíveis no momento da avaliação.

O que o rating tipicamente não captura sobre a carteira avaliada?

Algumas das variáveis mais relevantes para a recuperação real de uma carteira de NPL são justamente as que os modelos de rating têm mais dificuldade de capturar com precisão. A qualidade da cadeia documental de cada operação, por exemplo, raramente é avaliada crédito por crédito no processo de rating: costuma ser estimada por amostragem, o que significa que fragilidades documentais concentradas em determinados segmentos da carteira podem passar despercebidas na avaliação agregada.

Felipe Rassi
Felipe Rassi

O perfil comportamental dos devedores é outro fator que os modelos tradicionais capturam de forma limitada. Variáveis como histórico de tentativas de contato, disposição demonstrada para renegociação em abordagens anteriores e comportamento em processos judiciais em andamento raramente são incorporadas de forma sistemática ao rating, mas têm impacto direto sobre o resultado da recuperação na prática. Felipe Rassi observa que essa lacuna entre o que o modelo mede e o que a operação efetivamente encontra é uma das razões pelas quais carteiras com ratings semelhantes podem apresentar resultados de recuperação bastante distintos quando o trabalho começa de verdade.

A data do rating importa tanto quanto o próprio rating

Um rating é uma fotografia tirada em um momento específico, com base nas informações disponíveis naquele momento. Em carteiras de crédito inadimplido, onde o valor dos ativos pode mudar de forma relevante em função de variáveis externas como ciclo de juros, capacidade de pagamento dos devedores e movimentações no mercado de garantias, uma avaliação feita há doze ou dezoito meses pode não refletir mais a realidade atual da carteira com nenhuma precisão.

Esse aspecto temporal do rating é frequentemente ignorado quando o número é usado como referência em decisões de compra ou de alocação. A pergunta relevante não é apenas qual é o rating da carteira, mas quando ele foi calculado, com base em quais informações e se as condições que sustentavam aquela avaliação ainda se mantêm. Como aponta Felipe Rassi no campo de crédito estressado, usar um rating desatualizado como se fosse uma avaliação corrente é um erro silencioso: ele não aparece como problema na hora da decisão, mas tende a aparecer como surpresa nos resultados de recuperação meses depois.

Como usar o rating como ferramenta sem usá-lo como substituto da análise?

O rating de uma carteira de NPL é mais útil quando tratado como ponto de partida do que como conclusão. Ele organiza as principais variáveis de risco em uma métrica comparável e oferece um referencial rápido para triagem de oportunidades, especialmente quando o volume de carteiras disponíveis para análise é grande. Onde ele perde utilidade é quando substitui a análise documental, a verificação das garantias e a leitura do perfil específico dos devedores daquela carteira em particular.

Em síntese, o especialista no mercado financeiro, Felipe Rassi, transmite que a combinação mais eficaz no mercado de crédito estressado é usar o rating para identificar quais carteiras merecem análise mais aprofundada, e reservar o esforço técnico real para as etapas que o modelo não alcança: a due diligence documental, a verificação das garantias e a estimativa de recuperação construída a partir das características específicas daquele lote, e não de médias históricas de carteiras que apenas se parecem com ele na superfície.

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